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12 de setembro 2011 | Por

Um olhar de criança

Terminei de ler este final de semana O pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupery.

O livro já foi lido por milhões pessoas em todo o mundo e eu, resolvi então dar um fim a este “gap literário”.

Para quem não conhece o livro e na infância, não assistiu aos desenhos que as aventuras do Pequeno Príncipe originaram, conto um pouco…

O Pequeno Príncipe vivia sozinho em um planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões, dois ativos e um extinto. Tempos depois, uma semente trazida pelo vento deu origem a uma rosa, de grande beleza, mas orgulho proporcional. E foi esta flor que tirou o sossego do Pequeno Príncipe e o levou a começar uma série de viagens pela Via Láctea.

Até que ele, finalmente, chegou à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu repensar o que é realmente importante na vida.

Quando comecei a ler o livro, acreditava que era uma obra simples – entenda: simplista. Mas à medida que fui mergulhando na história, pude perceber a profundidade dos assuntos abordados pelo autor com sensibilidade e muita criatividade.

As personagens que contracenam com o Pequeno Príncipe  -  o rei, o geógrafo, o contador, a raposa, a rosa, a serpente, entre outros - representam tipos de pessoas com quem frequentemente nos deparamos ao longo da vida.

Por meio de perguntas e respostas objetivas, Antoine Saint-Exupery traz ricas mensagens que despertam profundas reflexões sobre a nossa própria vida.

O livro faz pensar sobre a maneira como nos tornamos adultos, entregues às preocupações diárias, e esquecidos da criança que fomos (e somos).

Lendo, percebi a importância disto na vida pessoal, nas relações que estabelecemos e também no âmbito profissional. Manter viva a criança dentro de nós permite enxergar fatos e situações de formas diferentes. Viver com mais leveza e liberdade!

Percebi também, o quanto as empresas só têm a ganhar quando valorizam pessoas que mantém o “olhar de criança”, com a mente livre e sem vergonha de compartilhar ideias que, à princípio, pareçam estranhas.

É abrindo espaço para a atuação de pessoas assim, que uma empresa consegue a cada dia um novo toró de ideias e surpreender os clientes com soluções criativas.

Cheguei à conclusão que o livro é realmente simples, mas não simplista. Simples por ser capaz de transmitir mensagens e despertar por meio de belas metáforas profundas reflexões da vida.

Abaixo, um trecho do livro O Pequeno Príncipe, em que o autor, Antoine Saint-Exupery compartilha sua alma de criança/artista que sempre gritou dentro dele…

Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, « Histórias
Vividas », uma imponente gravura. Representava ela uma jibóia que engolia uma
fera. Eis a cópia do desenho.

Dizia o livro: « As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da  digestão »…

Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu desenho número 1 era assim:

Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: « Por que é que um chapéu faria medo » ?

Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante.

Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. Meu desenho número 2 era assim:

As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2.

As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.

Tive, pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo. E a geografia, é claro, me serviu muito. Sabia distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito útil, quando se está perdido na noite.

Tive assim, no decorrer da vida, muitos contatos com muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião.

Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Mas queria saber se ela era
verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: « É um chapéu ».

Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas.
Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas.

E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável…

Categoria(s): Storytelling
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Autor:
Mineiro aprende desde cedo que um bom "causo" (tradução: história) serve para muita coisa: entreter, ensinar e engajar pessoas. Por isto, ela se tornou jornalista (contadora de histórias). Hoje, como roteirista e editora da Revista Toró vai ajudar cada apresentador a vender suas ideias e se comunicar melhor.